sábado, 5 de março de 2016

Resenha Literária: Noites Brancas, Fiódor Dostoiévski


Título: Noites Brancas
Autor: Dostoievski
Páginas:94
Editora: L&PM Pocket


"Nada escapa a Dostoievski. À excessão de Shakespeare, não há leitura mais estimulante" é o que Vírginia Woolf fala na capa do livro, Noites Brancas.

Se Vírginia Woolf elogia determinado escritor é sinal de que temos que lê-lo o mais rápido possível.

Quando tratamos de Dostoievski nos remete sempre Os Irmãos Karamazov e Crime & Castigo que são os livros mais consagrados do Fiódor, embora isto não diminua o valor das outras obras que são excelentes.

Quando estamos lendo Noites Brancas há uma sensação de uma inconformidade com os nossos próprios valores, com a nossa existência, com os nossos relacionamentos (tanto interpessoais, como intrapessoais).

A nossa pele não é nossa quando estamos lendo este livro, pois passamos a ser o jovem sonhador, e começamos a sentir a solidão  que existe no personagem, e vemos que também somos sozinhos.
E quando este jovem sonhador  encontra outra pessoa com quem compartilha a sua solidão, tudo fica mais leve, mais alegre, mas acontece que essa outra pessoa é uma pessoa cujo nome é Nástienkha, por quem o jovem sonhador se apaixona.

E descobre em outrem uma forma de encontrar uma segurança, um forma de compartilhar a sua solidão, conta sua história de jovem sonhador. Há um trecho lindo que ele fala sobre si mesmo:

"...Um sonhador- para explicar-me mais concretamente- não é um homem, fique sabendo, mas uma criatura de sexo neutro. Geralmente o sonhador costuma viver fora do mundo, num refúgio, como se se escondesse da luz do dia, e, uma vez instalado no seu esconderijo, vive e cresce nele tal como um caracol na sua concha, ou pelo menos pode-se dizer que é parecido com esse animalzinho singular, que é ambas as coisas, o animal e sua própria morada, e ao qual chamamos tartaruga."

Essa forma de o jovem descrever o que é um sonhador é extremamente belo, mas ao mesmo tempo angustiante, pois o sonhador vive fora da realidade, do que está aos olhos, e sempre pensa naquilo que um dia poderá acontecer ou não, mas a esperança reside no seu insconsiente, fazendo assim uma certa ilusão de que você poderá viver no seu próprio mundo, e não no mundo propriamente dito.

Antes já havia me relacionado com duas obras do Dostoievski que me fizeram uma chacoalhar dentro de mim mesmo. Os livros foram: Notas do Subsolo, e Uma criatura Dócil.

Sempre senti uma imensa vontade de um dia escrever que nem Dostoievski, pois nem é em si a situação que ocorre que torna os livros do autor excelente, mas sim a carga humana que o escritor consegue colocar em seus personagens.

O mundo psicológico dos personagens neste livro Noites Brancas é uma coisa que está ligada tanto a mim, quanto a você que lê o livro, a situação da solidão, e da ilusão, pois achamos a todo instante que não somos sozinhos, mas o fato é que estamos sozinhos até quando estamos acompanhados.

E a tristeza do humano, do adulto é que vivemos de ilusões das quais não conseguimos destrincar com medo de que possamos sofrer danos que jamais serão recolocados novamente. Somos constantemente jovens sonhadores como o personagem do livro.

 Fechei a última página do livro do Dostoievski com uma única sensação, e um único pensamento: que vale  a pena viver mesmo que seja efêmero o momento que estejamos passando mesmo que seja sofrido ou de uma felicidade clandestina. Pegando um trecho de Vinicius de Moraes sobre a minha concepção do viver "que seja infinito enquanto dure.'

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